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ECTIMA CONTAGIOSO (BOQUEIRA)

               É uma zoonose causada por vírus, que ocasiona lesões (bolhas que se rompem e formam crostas), principalmente nos cantos dos lábios. Nos casos mais graves, a infecção se estende até gengivas, narinas, olhos, úbere, língua, vulva, região perianal e cascos. As lesões na língua, no esôfago e no rúmen são normalmente devidas à infecção secundária. Os cordeiros em idade de amamentação são fortemente afetados e suas mães podem ter verrugas nas tetas e nas partes vizinhas ao úbere. Essa doença pode levar à morte, em conseqüência de dificul¬dades de alimentação e de problemas decorrentes de infecções secundárias e de bicheiras. A incidência é especialmente alta em cordeiros, entre três e seis meses de idade. Nos animais adultos, a doença geralmente se manifesta por casos de queda de imunidade, causada por outros fatores, como verminose (Haemonchus contortus), ou logo após o transporte por longas distâncias.

               O contato direto entre animais ou cordeiros com instalações, pastagens e cochos contaminados é a principal forma de disseminação da enfermidade. Outro fator importante é o agrupamento dos animais. É possível que o vírus se conserve viável de um ano para outro, além de existirem animais portadores, o que favorece o surgimento de surtos. O vírus ser transmitido ao homem, no qual se manifesta na forma de erupção  muito irritante na pele.

              Logo após o rompimento das vesículas, desenvolve-se a formação das crostas. A recuperação pode ser rápida, caso não ocorram infecções secundárias. A ingestão de saliva com o vírus pode disseminar as lesões para o estômago, para o intestino até para os pulmões, levando o animal ao óbito.

                Como medidas preventivas e de controle, aconselha-se isolar durante duas a três semanas os animais adquiridos, fornecer colostro aos filhotes, manter instalações limpas e descontaminadas, separar e tratar os animais doentes e vacinar os demais no início do surto. Se mais de 40 % do rebanho estiver afetado, a vacinação é desnecessária. A vacinação não é recomendada em locais onde a doença ainda não ocorreu. Após a ocorrência de um surto, o rebanho fica naturalmente imunizado, por cerca de seis anos. Atenção especial deve ser dada aos animais em quarentena, para que haja intervenção com presteza no caso do aparecimento da doença em animais recém-adquiridos. No tratamento das lesões, utiliza-se solução de permanganato de potássio a 3 % ou solução de iodo a 10 % acrescido de glicerina, na proporção de uma parte da solução de iodo para uma de glicerina. O ideal é pulverizar as áreas afetadas pelo menos duas vezes ao dia, por sete dias consecutivos, mas a aplicação a cada 48h da solução de iodo ou a auto-hemoterapia também se revelaram eficazes no tratamento da doença. Também é preciso aplicar repelentes de moscas nas bordas das feridas (na pele íntegra), para evitar o aparecimento de bicheira. Nas áreas mais sensíveis, como o úbere, as lesões devem ser tratadas com iodo e glicerina na proporção de 1:3 ou com solução de ácido fênico a 3 % mais glicerina.

Fonte: Principais enfermidades e manejo sanitário de ovinos /Ana Carolina de Souza Chagas e Cecília Jose Veríssimo - Embrapa Pecuária Sudoeste - São Carlos – SP – 2008

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