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Doenças bacterianas 
LINFADENITE CASEOSA ou MAL-DO- CAROÇO

                    É uma doença infecto-contagiosa de natureza crônica, causada pela bactéria gram-positiva Corynebacterium pseudotuberculosis, que pode ser transmitida ao homem. A bactéria penetra no organismo através de ferimentos, mesmo leves, como arranhões, e de pele intacta; alcança a linfa e atinge os linfonodos regionais. A partir destes linfonodos, podem ocorrer infecções sistêmicas. Caracteriza-se pela formação de abscessos, também chamados de caroços, nos linfonodos superficiais. A infecção também pode localizar-se em linfonodos internos e em órgãos internos, como fígado, pulmão e baço, e encontrar-se até na medula espinhal. Nesses casos, os animais geralmente apresentam-se caquéticos. Além disso, os abscessos podem prejudicar os animais quando ocorrem abaixo da mandíbula e da orelha (mastigação), próximo ao úbere (reprodução), próximo à escápula e ao pernil (locomoção), (amamentação) e próximo ao testículo (reprodução).

                 A transmissão é feita diretamente, por meio do contato com o abscesso de animais doentes, ou indiretamente, por meio da ingestão de água e de alimentos contaminados com o pus do abscesso.

                 O tratamento com quimioterápicos e antibióticos, além de ser pouco eficaz, é antieconômico. O que se recomenda é isolar os animais com abscessos e proceder à remoção cirúrgica antes que se rompam espontaneamente, já que essa bactéria é altamente contagiosa e pode permanecer no ambiente por períodos de quatro a oito meses, principalmente quando protegida dos raios solares.

                 Os animais acometidos devem ser isolados do rebanho, para a abertura do abscesso, o que deve ser feito quando os pêlos na área começarem a cair. O médico veterinário que proceder à incisão cirúrgica deverá usar luvas, para evitar contaminação com a bactéria. Após a reunião de todo o material a ser utilizado na incisão do abscesso (anestésico, seringa, algodão, gaze, papel toalha, água, sabão, tesoura, solução de iodo a 10 %, mata-bicheira, pinça, bisturi, lâmina para raspagem dos pêlos, álcool, luvas e saco plástico) e a aplicação da anestesia, deve-se proceder à incisão do seguinte modo: lavar a área do abscesso com água e sabão; raspar os pêlos da área e desinfetar a pele com álcool e iodo antes de fazer um corte amplo no sentido de cima para baixo, de modo a permitir a retirada de todo o pus, que geralmente é espesso e de cor branco-esverdeada; deve-se pressionar o abscesso, até que não saia mais pus; este deve ser recolhido em saco plástico ou de papel; em seguida, faz-se a limpeza interna do abscesso utilizando pinça envolta em gaze (ou algodão) embebida em iodo a 10 %; injetar solução de iodo a 10 % na cavidade; aplicar repelente de moscas em volta da abertura, para evitar o aparecimento de bicheiras, e fazer curativos diários no local da incisão, até a completa cicatrização. Todo o pus retirado, a gaze, o algodão e as luvas devem ser incinerados. O bisturi e a pinça devem ser lavados com água e sabão e descontaminados.

             Para evitar a ocorrência da doença na propriedade, deve-se:

    1. evitar a compra de animais com abscessos;
    2. higienizar periodicamente as instalações, com vassoura de fogo;
    3. inspecionar periodicamente o rebanho, retirando-se os animais infectados, para tratamento ou para descarte;
    4. descontaminar os instrumentos utilizados na tosquia, na tatuagem e no corte de cauda e o aplicador de brincos, entre um animal e outro; e
    5. descontaminar as agulhas utilizadas na aplicação de medicamentos.


            A aplicação de vacinas, encontráveis no mercado, pode ser eficiente na diminuição do número de animais com abcessos. A questão econômica do tratamento deve ser avaliada em função do número de reprodutores e de matrizes de alto valor.

Fonte: Principais enfermidades e manejo sanitário de ovinos /Ana Carolina de Souza Chagas e Cecília Jose Veríssimo - Embrapa Pecuária Sudoeste - São Carlos – SP – 2008

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